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Voltei.

Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
Meu caminho para o isolamento segue o mesmo. Sei que não é bom, mas tudo ao redor me condiciona a ficar cada vez mais quieta, mais calada, mais silenciada e mais introvertida. Há alguns meses, gostei de conseguir me assumir como alguém introvertida, encontrei alguns vídeos sobre o poder que os introvertidos têm e aquilo me animou um pouquinho, embora para o resto da família eu só seja alguém fria demais para demonstrar carinho.  Minha imagem para a família realmente, segue ladeira abaixo. Não tenho medo nem pudor de falar a palavra lésbica em público (um ataque!), e nas reuniões de família, eu quase conto alto, das vezes que já me senti ofendida por tios e tias em acontecimentos que na verdade todo mundo fez parte, todo mundo soube, todo mundo está cansado de saber. Só que dizem que é melhor não comentar e fingir que estamos todos bem. Minha mãe, que apanhou por anos, e foi ofendida por anos por ser extrovertida e apaixonada por festas, hoje tenta usar a amordaça quando eu le...
Escrevo tão pouco ultimamente que até minha gramática piorou. Minha dicção também. Ando buscando palavras no Google frequentemente, com medo de errar na ortografia. É bem absurdo. E aí começo a tentar analisar a fundo os motivos reais de tanta mudança. Ando cada dia mais calada. Minha vida é de fato, outra. Mas não acho saudável o caminho que sigo, então vez ou outra me bate a vontade de escrever mais uma vez. Para entender melhor, minhas inseguranças profissionais cresceram absurdamente nos últimos anos. Nem parece que produzi tanto. E quanto mais produzo, pior fico. Além disso, sinto falta de ter mais amigos por perto. Existem pessoas que se afastaram de mim, e eu sinceramente não sei dizer de fato os motivos. Há cinco anos atrás, eu terminava um namoro. O pior que já tive. O mais abusivo de todos. Infelizmente, não consigo sentir nada bom quando me lembro. Fui agredida de todas as maneiras, fui ao fundo do poço com minha auto estima e voltei à vida com ajuda de amigos e f...
Eu disse à mim mesma: "bora viver que nem as lésbicas daqui". Assim, generalizando mesmo. Daí, terminei aquele namoro à distância, sofri por um mês e meio e naquele mesmo mês voltei a usar o tinder. Loguei e ele mostrava que eu estava em... Chicago! Ops, já havia voltado haviam 6, 7 meses talvez. Daí comecei a usar o tinder, de forma real, pra ver se ele voltava ao normal. Um match, dois matches, três, quatro, sete. Uma menina começou a conversar. Já cheguei avisando do bug do aplicativo mas ela disse que estava tudo bem.  Detestei gostar dela. Assim, gostar do papo mesmo. Sei lá, rancores né. Aliás, traumas. Dois dias depois eu deixei claro que deletaria minha conta, pra ver se o tinder voltava ao normal. Avisei, e sumi. Três dias depois uma solicitação no facebook. Como ela me achou? Aparentemente existem poucas Sofias que trabalham com design gráfico no Brasil (essa informação inclusive me deixou bem feliz). Tudo bem, tudo bem, ela é legal, mas era meu momento pegaçã...
Shhhh... de fato aprendi que minha felicidade em voz baixa é mais tranquila, mais calma... e perdura.
Hoje é um desses dias em que, não consegui nenhuma desculpa para sair de casa, mesmo sendo sexta, mesmo eu ganhando uma entrada para uma festa um tanto gay na boate, mesmo que um amigo que adoro está no bar esperando que eu apareça. Não consigo sair porque mesmo que doa, preciso ficar sozinha, sem aquele monte de trabalhos que me ocupa a cabeça o ano inteiro e me faz esquecer toda a verdade que sinto.  Tudo bem, fim de ano sempre me emociona mesmo. Eu sinto saudades da minha infância, e agora mais do meu avô. Sinto saudades mas sempre gostei das mudanças. Mas dessa vez as coisas estão fortes, profundas, verdadeiras. Hoje eu li mais um relato de relacionamento abusivo, aliás, nem sei se aquele outro relato era de fato abusivo, mas me marcou muito por ser de alguém que conheço. E mais tarde, achei essa notícia . Ler o que a Poanka escreveu, eu não sei porque hoje, porque agora, mas doeu demais. Eu não me aguentei e chorei mais uma vez, mesmo que tudo tenha acontecido há mais de...
A sensação de estar atravessando uma ponte e não chegar no destino desejado nunca cessa. E sempre achei isso um tanto bom. Tantas decepções com as pessoas ao redor me deixou dura, com medo de certezas e fixações. Prefiro o temporário, o que muda, o que deixa eu me mover do lugar. Sinto saudades do que passou, confesso. E uma vez ou outra vendo as fotos, eu não consigo me segurar. Dá vontade de pegar no telefone e ligar pros amigos, para perguntar o óbvio, por que será que acabou, por que tão longe, por que não dá pra voltar… E questiono se realmente esqueci toda aquela última história que me carregou até minha última pequena grande decepção no amor. Isso acontece ás vezes nos domingos em que não me ocupo muito. A mente para e pensa. Mas voltando à ponte, no meio do caminho, uma pessoa chegou. E todo mundo sempre vem com aquela voz de cansada das minhas histórias, da minha vida. Mas é a verdade. E eu não nego que tive medo, que tenho medo, que fico feliz, que me esfria a barri...