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Três anos depois

 Três anos distante daqui. Mas a angústia do momento em que vivemos me faz querer voltar a escrever. Mesmo que ninguém leia isso.  Comecei esse blog assim que eu tive acesso à internet pela primeira vez, 2009. Deixei aqui marcados os momentos marcantes de um fim de adolescência conturbado, com o início da vida adulta. Foi tudo como uma bomba. Uma bomba atrás de outra. Tanta coisa nova pra que eu me adaptasse que hoje acredito ter sossegado em mim, o choque ou a surpresa.  Mas a gente não acostuma, na verdade internalizamos a maioria das grandes mudanças. “Aceito e agradeço” diríamos em um post de mais uma nova rede social. E tendo o privilégio de pagar por terapias, análises e conversas com profissionais de saúde, eu percebi o quanto é importante que eu comunique e expresse o que eu sinto.  Pra quem não sabe (ironia) estamos todos no meio de uma pandemia. E com ela, ficamos mais tempo em casa, sem poder ter contato com pessoas “fora da bolha”. Daqui a um mês, faço um...

De volta ao exílio. Mas com liberdade demais.

Percebi que só volto aqui quando me sinto uma penugem solta no ar. Sem chão mesmo. Isso precisa mudar e então resolvi me estabilizar melhor para entender tudo à minha volta.  Passei dois anos vivendo uma luta incessante para viver novas aventuras. Tinha um novo amor, o qual citei uma ou duas vezes, e me guardei em silêncio para muita gente sobre isso, a fim de evitar tantos comentários sobre mais um namoro à distância. Deu certo, até o dia do fim. O ano de dois mil e dezessete foi dolorido, muito trabalho, uma vontade louca de ter aquele amor pra sempre, pouco dinheiro e vários momentos de descobertas. No fim, eu tinha quase tudo nas mãos: um programa de trabalho fora do país, passagem, malas prontas. Ela resolvera voltar para casa, no mesmo país que eu iria, porém a três horas de fuso. Era o fim. Acho que nos prolongamos até mais do que devíamos. Me machucou chegar na Califórnia e lidar com o fato de sua voz, sempre calma, me dizer que mereço outra pessoa. Alguém... disponív...

O menino Kaisen e o caminho que a vida toma

Descobri que provavelmente ninguém mais virá aqui. Mudei o endereço do blog e, se antes não vinha muita gente, agora serão novas pessoas: as que por acaso encontrar o endereço de não mais uma menina pajarito. Agora, por mais que doa as pernas, a cabeça, as contas no fim do mês, a vida adulta me chama de mulher. Mas preciso recontar uma história, para os que chegaram agora. Comecei esse blog há nove anos (meu deus! nove anos!) escrevendo sobre todas as angústias e as maravilhas de ser uma menina que sabia que amava outras meninas. Ou uma apenas, naquele tempo. Naquele tempo, tudo era mais mágico - havia tempo para escrever. Ao longo da vida, me perdi em caixas de mudanças, rotinas com a faculdade de design, namoros abusivos, muita dor e uma recuperação digna de silêncio. Silêncio porque se tem uma coisa que me traz paz, é o silêncio calmo, de quem já tem (quase) tudo resolvido. Agora é só esperar. Me formei sem vontade de transformar o mundo. Foi aí que voltei pra cá. Meu espacinho...

I'm like a bird, Six Feet Under e os últimos 5 anos da minha vida.

Deixei essa música pra tocar, porque me lembro de ouvi-la há anos, desde quando terminava o ensino médio, até à época em que entrei pra faculdade. Hoje, trabalho em uma rádio que toca sempre, mesmo que ela seja uma música velha que a geração dos meus irmãos mais novos nem conhece. E toda vez que ela (e outras músicas antiguinhas) tocam enquanto trabalho, minha mente volta anos atrás. Acabo analisando várias coisas. Naquela época, eu achava que não iria gostar tanto de ninguém, e como minha vontade secreta sempre foi "bater asas" por aí, mudar de estado, país, conhecer coisas e lugares novos, eu sempre me via na música. Parecia coisa de adolescente mesmo, querer tudo aquilo. Mas aí, hoje vejo que estou a um passo de largar o pouco que tenho (pouco mesmo) pra me aventurar em uma vida que eu pensava em ter. Obviamente, eu gostei de muita gente, amei demais, sofri mais ainda (infelizmente ainda não consigo olhar apenas com o coração sem mágoa nenhuma de todos os meus ...

Voltei.

Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
Meu caminho para o isolamento segue o mesmo. Sei que não é bom, mas tudo ao redor me condiciona a ficar cada vez mais quieta, mais calada, mais silenciada e mais introvertida. Há alguns meses, gostei de conseguir me assumir como alguém introvertida, encontrei alguns vídeos sobre o poder que os introvertidos têm e aquilo me animou um pouquinho, embora para o resto da família eu só seja alguém fria demais para demonstrar carinho.  Minha imagem para a família realmente, segue ladeira abaixo. Não tenho medo nem pudor de falar a palavra lésbica em público (um ataque!), e nas reuniões de família, eu quase conto alto, das vezes que já me senti ofendida por tios e tias em acontecimentos que na verdade todo mundo fez parte, todo mundo soube, todo mundo está cansado de saber. Só que dizem que é melhor não comentar e fingir que estamos todos bem. Minha mãe, que apanhou por anos, e foi ofendida por anos por ser extrovertida e apaixonada por festas, hoje tenta usar a amordaça quando eu le...
Escrevo tão pouco ultimamente que até minha gramática piorou. Minha dicção também. Ando buscando palavras no Google frequentemente, com medo de errar na ortografia. É bem absurdo. E aí começo a tentar analisar a fundo os motivos reais de tanta mudança. Ando cada dia mais calada. Minha vida é de fato, outra. Mas não acho saudável o caminho que sigo, então vez ou outra me bate a vontade de escrever mais uma vez. Para entender melhor, minhas inseguranças profissionais cresceram absurdamente nos últimos anos. Nem parece que produzi tanto. E quanto mais produzo, pior fico. Além disso, sinto falta de ter mais amigos por perto. Existem pessoas que se afastaram de mim, e eu sinceramente não sei dizer de fato os motivos. Há cinco anos atrás, eu terminava um namoro. O pior que já tive. O mais abusivo de todos. Infelizmente, não consigo sentir nada bom quando me lembro. Fui agredida de todas as maneiras, fui ao fundo do poço com minha auto estima e voltei à vida com ajuda de amigos e f...