Medo, insegurança. Tudo misturado a uma força que nem sei bem de onde vem (ou melhor, sei sim *--*'). Depois de me afogar em sono e lágrimas, me disponho a escrever tudo que senti, se é que dá pra descrever tudo aquilo. Tudo que queria era poder saber diferenciar cada coisa, tudo que tenho vontade de fazer, e de falar. Mais uma vez escutei como tola, como criança ou doente, como qual me trataram dessa vez. Como uma insana, sem razão por falta de algo que tentam procurar. É tão fácil saber pra mim, apenas abrir os olhos. Mas não. Pra eles é loucura. Vejo meu pequeno ir embora contrariado. Sabe que indo, dói o pequeno coração, mas ficando, parece pior. Sofre talvez mais que eu, que tive pelo menos uma fase mais amigável. Sinti esperança, sinto até agora na verdade. Mas seja o que tiver que ser. O pior que posso perder é minha vida, as vezes sinto tanta dor que não sei explicar. Meu erro talvez seria ter nascido. Pelo menos aqui. Sei que devia ter gritado desde o dia em que assisti a estúpidas cenas, à ingnorância tremenda, vendo todos se calarem diante de alguém que amo, mas que infelizmente não teve nenhum argumento verdadeiro. Dói cada dia mais, mas pretendo sonhar e sonhar, me arriscar talvez por instantes. Um dia tudo isso será motivo de risos. Mas hoje, não conseguem ver que eu posso amar e ser amada. Independente de quem seja. Eu amo, e é de verdade. Se eu disse, não tenha dúvidas. Só queria ser ouvida como alguém que toma as próprias decisões pela primeira vez, mas com segurança. Pela primeira vez, sei o que quero. E sonho com cada detalhe. Nunca sonhe por alguém, se esse alguém não é você. Não tente realizar tantas coisas pra alguém que não seja você ou pelo menos que você não esteja incluído.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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