Tentarei descrever nos mínimos detalhes. Pois depois de tantas lembranças misturadas à acontecimentos presentes e tão reais, que meu peito se enchia de esperança de que as coisas agora iam ser realmente apreciadas e vividas com intensidade. Meu corpo, ainda sensível, me fazia pular na cadeira quando eu fechava os olhos devagar e uma cena preenchia minha mente, eu estremecia e sorria sozinha, enquanto os outros falavam sem parar. Quando me dei conta de onde estava, e tentando interagir com eles, sem nem saber mais do que falavam, eis que surge uma pequena flor de papel, como àquelas que eu fazia quando era criança e a entregava como símbolo da minha admiração. Vinha da escola, mas junto com meu carinho. Nunca havia recebido uma em troca. E dessa vez, veio junto com um sorriso, como agradecimento pela confiança que custei a dar, mesmo com medo. A flor ficou naquela mesa, mas a confiança veio junto com a gente, dentro do carro. Quer dizer que agora, posso dizer mesmo o que sinto? Assim espero. Nunca é tarde pra recomeçar. E quando descobrir de verdade, o que é o amor, vai poder apenas fechar os olhos, e sentir. Porque amor, não se arranja em um mercado ali da esquina. Simplesmente se sente. E se ama.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
Comentários
gostei da fotografia :)
ah, e já estou seguindo o
seu blog...
bj
do Godoy
http://garfosemdentes.blogspot.com