O tédio me engolia aos poucos. Barulhos, barulhos, gritos. No quarto, claro e alto, eu queria subir pelas paredes, louca. Um alicate de unha, o som alto, mas nada. Não farei nada. Eu disse que não iria chorar. Não o fiz. Queria me divertir, só. Só com um elefante no chão, um urso novo mas cheio de história pra contar. Lembrei da agulha, aquilo era divertido há anos atrás. Agulha, linha e mãos. Comecei a costurar pouco a pouco em minha mão, sorrindo sozinha, patética. As vezes lembrava daquele sentimento de rejeição, o motivo de querer me afundar ali mesmo. Lembrava que me esqueceram facil demais. Lembrava de tudo, nos últimos dias. Mas acreditava que por segundos, esqueceria tudo. Costurando, sem perceber o quê, afundava a agulha no pulso, e achava engraçado nao sentir nada na palma da mão. Três minutos depois, saiu o que estava preso. Não entendi porque tudo aquilo. Mas pudera. Poderia ser Kampf. Poderia ser qualquer outra coisa com 'K'. Mas não era isso. Lá estava, a letra. Apenas um símbolo. Mas com enorme e complexo significado.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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