Há uns anos atrás, minha diversão era entrar no meu quarto e escrever até a mão doer. Escrever qualquer tolice, que seja. Pra mim mesma, pensando em mim. Pra variar um pouco eu descrevia todas as pessoas da minha sala, como se fossem personagens em quadrinhos. Meu mundo era tão único e meu, que até hoje não consigo mais sentir as mesmas sensações. Mas era pequeno demais, diante do resto do mundo 'real'. Hoje, tenho vontade de escrever sobre tanta coisa, que acabo ficando 'atada' e não escrevo quase nada. Meu medo, é perder a vontade de escrever um dia. Acredito que seja a única coisa que eu possa fazer, sem precisar de nada mais do que um lápis e um papel. O mais legal. Ainda sou pobre com as frases, mas um dia eu chego lá.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
Comentários