Deitada na cama, com a visão meio embaçada. Uma cólica absurda, a pressão lá em baixo e começo a recaptular o que foi meu inútil dia. Ouvindo JD Natasha, como nos tempos de solidão maior, há muito não sentia isso, assim. Não podia entrar na internet, mas mesmo assim, não fiquei tão insatisfeita. Um desânimo horrendo de abrir a boca, nem pra falar. Uma vontade de chorar a cada música que começava. Saudade. Muita saudade. Você podia estar aqui, pra ver que eu sei sim chorar. Mas acho que se me ligasse, brigaria por não poder estar conversando agora. Desculpa, mais uma vez. Mas me sinto fraca, cansada. Isolada, perdida. Ainda tenho forças, eu sei. Mas tomou conta de mim, essa vontade de me enterrar em cobertores, mesmo com esse calor, e só sair se houver um sol intenso. Porque agora a noite, o céu parece vermelho. E eu não consigo ver as nossas estrelas daqui.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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