Tratei de ouvir as músicas, de dois discos que ganhei em fevereiro, com a idiota desculpa de tentar renomear algumas que não conheço. Tão idiota a desculpa, que sabia que se não conhecia antes, não deveria conhecer agora. Ouvi, um pouco de cada uma, lembrando de cada momento que sofri num lugar bem distante. Não distante somente geograficamente, mas distante de mim. Nos dias em que me senti lá de verdade, por pouco tempo não me desesperava e iria chorar. É como se fosse uma preparação pra mim. Sofri muito. Mas nunca se sabe... pode ser que eu sofra outra vez. Então, trato de me lemrbrar que saí dali e estou onde queria estar. Mas ainda, não estou como quero. E pra conseguir... ah, pra conseguir vai haver lágrimas, talvez discórdia, não sei. Mas prefiro pensar no dia em que ouvir as músicas que escuto hoje, só pra lembrar que sofri, mas que consegui chegar.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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