Amava quando sabia o que dizer. Quando o que dizia, era forte o suficiente pra te fazer sorrir. Quando o que fazia, te fazia imóvel e surpresa por instantes. Quando o que mostrava, te fazia chorar. Quando o que sentíamos, nos fazia ter esperança para melhorar tudo. Amava-me assim. Amo ainda, quando me toca as mãos, depois de ver a bagunça que fizemos por tanta bobagem falada. Amo, quando cócegas ou piadas nos fazia esquecer do mundo lá fora do quarto, e tudo que tínhamos (e temos) nas costas, quando pesava demais. Não posso mais te fazer cócegas, te contar piadas. É errado meu amor. O que sei e faço, é dizer que mesmo sem piadas, sem cócegas, e sem esquecer do 'monstro mundo' que nos persegue com suas realidades, somos sim fortes. A diferença é que a gente cresceu um monte. E crescer dói. Mas crescemos, porque somos fortes. Pra chorar, sorrir, convencer de que vale a pena, nos convencer de que tudo vale a pena, pra gritar de desespero, pra pedir ajuda, pra ter medo (e dizer que se tem medo), pra encarar a vida e o 'mundo monstro'. Pra se ver sozinha (como me vi muitas vezes) e saber que se é capaz. Pra se ver que na verdade, nunca se é sozinha (como você me mostrou muitas vezes). Eu só precisava te levantar do meio fio, te dar a mão... limpar seu rosto e dizer tudo isso. Eu te abraçei, e pedi que naquele abraço, a dor passasse pra mim. E não consegui falar essas coisas. Porque você disse que... bem, que eu não entendo nada. E talvez, talvez seja verdade amor.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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