Enchi a jarra de alumínio e esquentei a água. Tirei todos os sachês de chá e guardei a caixinha, com desenhos que fiz olhando pra você. Suas inciais, uma face meio estranha do outro lado, com um sorriso cativante e uns olhos melancólicos. Sorri, com uma saudade invadindo meu peito, antes da hora. Bebi e senti como se fosse a melhor bebida do mundo. Era um chá de maçã, não um qualquer. Não consigo parar de fazer mais e mais chá. Dentro de mim, vou bebendo você aos poucos, até acabar. Não sei o que vou fazer depois disso. Não sei mais onde te procurar, além de cada pedaço meu e do que é meu. Queria te beber todos os dias, por chás e chás, por refrigerantes talvez, algo que me entorpeça e me enlouqueça, me dê um barato e me deixe fora do ar, como só você consegue quando me abraça.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
Comentários
Volta e traz a melhor parte de mim?
TE AMO♥