Para toda via, eu tenho um blog. Não é nada concreto, nada que vá me levar a loucura, mas eu tenho um blog. Quando bate o desespero, quando preciso contar a alguém e não existe alguém, eu tenho o blog. Ele não vai ignorar minhas palavras, nem brigar pelo que penso ou sinto. O máximo que pode acontecer, é a internet cair e eu não postar, mas aí já não é culpa dele. É só mais um refúgio pra alguém que não é nada popular, e o msn não pula freneticamente quando esse alguém fica online. Msn pra que? Eu tenho um blog!
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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