Uma mistura de nostalgia, medo e sofrimento me comem aos pouquinhos, desde quando acordo até ao deitar. Peço ao tempo, um pouco mais de paciência. Não que eu não tenha vivido tudo intensamente, mas quando me assusto existe uma longa história atrás de mim que nem eu conseguiria contar ao todo. Gente ao meu redor, muita gente. E eu, que ao mesmo tempo, preferiria não precisar de nenhuma delas, preciso. Meu silêncio grita, berra pedindo que o mundo me inclua nele, pelo menos pra eu provar. Bebo mais silêncio, me contento com os sorrisos e conto a mim e a mais um alguém o que se passa aqui dentro. Sendo esse alguém quase eu mesma, consigo me divertir por horas ou minutos. Ah, se todo esse céu falasse. Não sairia tanto silêncio de mim. Eu sinto falta de algo que nem sei se já tive. Mas sinto. Busco dentro de mim, algo que complete o que falta. Porque isso tem que estar comigo, e não do lado de fora. Tem que estar. Mas, e se não estiver? E se eu for assim, incompleta, por faltar algo que não está comigo? E se não estiver com ninguém? Eu preciso que acreditem, eu preciso. Há uma coisa faltando aqui, eu sei. Todas aquelas cócegas, e minha vontade maluca de correr para o banheiro, depois de anos sem fazer xixi na calça me fez perceber. Não depende de mim, só de mim. Mas se sobra algo aí dentro, me mostra pra eu ver se completa aqui. A parte que falta. Ou que faltava.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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