Minha cabeça pendia em cima do livro, sem vontade alguma de ler. Era intervalo, minha segunda vez ali. Haviam conhecidos, mas eu preferi ficar longe, sozinha. Esse medo de gente, que vez ou outra volta dentro de mim, me deixa triste. É, triste e desesperada. Porque além de qualquer circunstância, posso ser julgada, extremamente observada, zombada, excluída, e pior! Posso ser ainda, vista como arrogante. Talvez eu seja mesmo. Meu pescoço ainda dói. Mas prefiro ficar observando as letras do livro. Logo passa.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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