Eu não sei escrever frases célebres, e sei pouco sobre a complexidade ortográfica. Só queria entender um pouco mais sobre os rostos e expressões que passam a minha frente e principalmente os que, me rodeiam e me mostram o cotidiano. Mas descobri que entender, não é o verbo que vou conseguir conjugar. Posso sentir a vibração de rostos e corpos alheios. Posso pensar e gritar junto às vozes alegres que me rodeiam. Mas entender, ah, prefiro nunca entender. É um do melhores desafios, poder preencher todo meu ser com essas vibrações, com aquele olhar brilhando em minha direção. Com aquela risada frenética depois de uma piada estranha, que nem ele mesmo entendeu. Ouvir todas as bocas das pessoas que mais amo no mundo, mastigando a pizza juntos, e trocando talheres, temperos, histórias... Preenche minha alma, daí, me dá uma vontade de contar pro mundo inteiro e dizer que eu ainda não venci, mas acredito estar no caminho correto.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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