De repente me caiu a ficha de que tudo que eu tenho hoje, era somente sonho há anos atrás. Estava no automático a um tempo, sempre tive tendência a fazer toda a rotina ou até mesmo mudá-la de forma robótica. Mas quando dei por mim, estava aos prantos com medo de perder. De perder a volta pra cá, de perder a garota dos sonhos voltando pra mim, de perder os melhores passeios, de perder meus pais me aceitando... Foi uma emergência correr de noite até a casa dela, sem sentir frio, sem sono, mesmo cansada. E o robozinho aqui aprendeu a chorar somente no seu colo... Agora, não posso mais viver sem. Vai ser sempre mais ou menos essas falas, essas lágrimas, mas de alívio por saber que não, eu não estou sonhando!
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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