Não são copos com álcool, nem mesmo cigarro. Mas eu sei que pareço amarga se quiser me beber. Pouco destilada, eu tenho mania de realmente não misturar meus aspectos e pontos de vista com frequência. Não é por questão pessoal. É por questão de eu ser assim e ponto. Ou melhor, quase ponto. Eu sou flexível com milhares de coisas. Eu até escuto tudo que puder da boca de quem fala, leio outros pontos de vista extremistas e divergentes, mas na hora de defender o que penso, é exatamente como penso e ponto. Aí sim, ponto. Pode ser que o que eu pense, seja igual ou diferente do que você pensa. Mas isso nunca vai fazer eu gostar mais ou menos de você.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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