O chão despedaçando, eu só queria um lugar pra me segurar. Eu tenho a infeliz mania, de dizer que não sofro, não sinto mais. E não sinto mesmo. Estacionou-se todos os sentimentos por aqui, perto do coração e a vontade de vomitar me enjoa só de pensar. Tranquei meu quarto, minh'alma. Me fecho em lágrimas e nem se meus braços se cortarem com tudo que puder encontrar, a dor troca de lugar. É bem no coração. Eu não vou contar o que quero. Não vou contar nada, a ninguém. Vontade de me deitar num rio, raso, que possa me levar. Que me leve pra bem longe, longe de tudo. Mas que na volta, eu tenha um chão firme a que pisar. Firme, bem firme, e se possível, coberto de flores. Eu não posso mais pensar em pedras e espinhos. Mesmo que eles voltem a me machucar. Oscilo entre o bem e o mal, entre o alívio de saber agora, da verdade e da dor imensa de lembrar dos rostos gargalhando ao meu redor. Da dor que senti por meses por tanta inconsequência. Tantos chãos despedaçando, por vezes e eu, hoje, literalmente sem nada a que me agarrar. Não tem rio. Não tem chão. Nem eu sei onde fui parar.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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