Saiu e chegou de todos os recintos, sentindo a tinta escorrer pela testa: erro. Era o que tinham escrito por ali. E exibia, como um troféu. Afinal, já se esclarecia que conserto não havia. "Nasceu assim, pobre. Vai ficar só. Ninguém aguenta tanto erro." Foi fazendo aos poucos, a questão de errar, pra saber então no que mudaria. Nada, pois erro por erro, não haveria que anular nada. Só somaria. Então, preferiu viver a vida, como se não houvesse erro algum em parte alguma. "Têm razão", afirmava sempre que os gritos estridentes começavam. Só queria paz. Nada de drama, voz de morte, de dor, que se quer existe. Se lágrimas significassem dor, talvez estaria líquida. E sobrevive. Até vive mesmo. Contente. Com os erros. Sem satisfações, sem pesos. Mas a mãe continua a gritar lá fora. Ás vezes o telefone grita. Ás vezes o olhar assusta. É quando ela passa o dedo na testa e conserta a palavra escorrendo: erro.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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