Se eu for pensar, eu acabo me lembrando de tanto que já fiz por ti. Do tanto que lutei, quis matar meu mundo, quis me matar, te matar. Eu lembro do quanto chorei, em vão, sozinha, com o mundo nas costas e todo mundo gritando em cima: Está indo longe demais!. Se eu for pensar, eu depositei minha confiança no vácuo, e depois que ela se foi, fiquei fria. Hoje, espero o mínimo de educação. Hoje eu quero viver o hoje e nada mais. A gente vai levando, chutando a pedra na rua, pra ver onde vai dar. Mas nada demais. Eu bebi nas últimas saídas, mas não sinto nada demais. Eu resolvi desenhar e não mudou muita coisa. Sabe, não tem gosto de mel, nem fel. Não fede tanto, nem cheira tão bem. É por esse caminho que eu vou andando. O amor? Ele existe, claro. Mas talvez tenha mudado a cor, a temperatura e talvez ele também esteja cansado de querer ser alguma coisa que não é, e nunca foi.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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