De ontem pra cá, minhas insatisfações foram um balde cheio, jogado pela casa, e quase todo mundo acaba se molhando um pouco aqui ou ali. Mas minha maior preocupação é quando minha vontade não é de socar alguma parede, ou socar alguém. É quando não sinto nada. Quando a indiferença toma conta. Talvez eu não ame mais. Talvez eu tenha cansado desse ciclo ridículo, dos mesmos inconvenientes, de ser posse. Não quero ser mais do que eu mesma, dona de mim, das minhas idéias, do que visto, como, quero. Não quero ser mais do que valorizada, um abraço necessário nas horas de amor ou tristeza. Quando bate essa dor maligna no meu peito, poder ouvir coisas que me façam reagir da melhor forma. Um pouco de carinho, que me dê sede de prazer. Eu quero é viver mesmo. E pelo que parece, tenho vivido a vida de outra pessoa.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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