Fechei meu corpo pro mundo, para todo mundo. Fui me encolhendo de medo, voltei à fase embrionária. Não quero ver o que tem nesse corpo. Fujo de espelhos, guardo meus receios e não há porque acreditar em palavrinhas mágicas. O vestido curto das noites passadas, faziam parte da fantasia que armei. É pra ninguém julgar demais, o que sinto com o que sou. Sempre fui desse jeito, sem gosto demais por mim, e no dia em que a mudança veio, eu vi, tenho certeza que eu vi a mentira entrar junto! Não vou falar que me odeio. Tenho bastante respeito. Mas eu sei que esse frio, esse medo constante de descobrirem a fraude que sou me enjoa, me dá ânsia entende? Meu corpo continua fechado, não quero nada, nada, não confio em mais nada. Eu quero meu mundo de volta. Que soprem aos quatro ventos a careta e estranha que sou. Me respeito, quero meu ritmo, minha vida pequena dentro do quarto escuro. Já não mais a garota que fizeram crescer e acreditar que essa imensidão dentro e fora da gente é linda e perfeita.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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