A minha vida se tornou tão mais viva, depois de tantas tempestades. E eu que achei que nunca aguentaria. Achei que eu fosse até forte, mas não o bastante. Daquelas tardes em casa, pensando nas gotas d'agua que caiam e eu escutava. Me lembro bem, que a cada uma nova gota, o ódio do tédio me franzia a testa com força a ponto da cabeça doer, eu só queria movimento. E é aí onde eu fiquei sabendo onde estava a solução. Eu sei me virar, viver a vida sem necessariamente alguém a me empurrar. Eu tenho pessoas realmente lindas, e as que não se consideram que se ferrem em seus imundos lugares. Eu não preciso de ninguém que me faça mal, que me compare ao chão onde piso. Eu posso não ter a maioria a meu favor. Mas a minoria, concerteza vale a pena. O que eu faço tem valor. O que eu vivo é importante e bonito. E o que sai de mim, para não mais voltar, foi minunciosamente pensado, calculado e testado. Eu sou frágil, mas tenho certeza de (quase) tudo que quero desse planeta.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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