Pelos domingos, sem nada pra fazer, somente dar voltas inúteis na lagoa. Pelas palavras ditas, da forma mais estranha, mais sincera. Pelos dias em que o sol era mais forte, e eu conseguia levantar da cama com um sorriso. Pelas dores de cabeça que tinha durante e depois de tanto chorar, pensando talvez, alguém até pudesse me ouvir. Pelos dias imensos de solidão extrema, aquela no meio da multidão, com vozes ininterruptas dizendo o que fazer na frente de um homem bonito. Pelos cabelos molhados de suor, por correr contra o tempo, contra o inimigo, contra os castigos, sacrifícios malucos ditados por livros. Pelas calçadas marcadas nas beiradas, escuras pelas conversas, emocionadas paixões, loucuras escondidas, proibidas. Pelas porcarias nas bocas, engordando, sujando, fazendo rir, enlouquecendo, surtando, fazendo tudo rodar. Pelos sentimentos de perda, beijos amaldiçoados, mãos, pernas, convites, festas ousadas. Pelas descobertas coincidentes, lágrimas premeditadas, histórias já contadas, recontadas. Pelo cansaço, pela precaução, pelo risco, pelo acerto, pelo erro. Pelo caminho todo errado, já marcado, reencantado, prometido e entregue. Pelo amor.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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