Por um bom tempo eu esqueci um monte de gente que esteve ao meu lado. Larguei todos, simplesmente dei tchau e fui embora, com poucas explicações. Eram momentos difíceis demais pra eu parar, explicar e ainda corria o risco de ninguém entender nada e ainda me julgar. Aos poucos, eu vejo algumas dessas pessoas, voltando à minha visão. Algumas voltam felizes, por me verem contente com a nova vida. Perguntam por tudo, comemoram. Outras com receio de algumas coisas. Nunca quis forçar ninguém a ouvir nada da minha vida. Eu gosto de cuidar de mim, sozinha. Acho digno. E amizades são fundamentais, mas depender delas todo o tempo não faz bem. Mas bem, atualmente eu sinto que ainda não sei lidar tanto com as pessoas. Com grupos. Com olhares que julgam. Não gosto de me apegar a colegas. Demoro a concluir amizades. Dizer "ele é um amigo" demora no meu mundo. Há precauções a tomar, muitas. Desculpa por ser tão estranha a ponto de esclarecer que fui ingrata em certos pontos. Eu ainda estou aprendendo.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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