Por um bom tempo eu esqueci um monte de gente que esteve ao meu lado. Larguei todos, simplesmente dei tchau e fui embora, com poucas explicações. Eram momentos difíceis demais pra eu parar, explicar e ainda corria o risco de ninguém entender nada e ainda me julgar. Aos poucos, eu vejo algumas dessas pessoas, voltando à minha visão. Algumas voltam felizes, por me verem contente com a nova vida. Perguntam por tudo, comemoram. Outras com receio de algumas coisas. Nunca quis forçar ninguém a ouvir nada da minha vida. Eu gosto de cuidar de mim, sozinha. Acho digno. E amizades são fundamentais, mas depender delas todo o tempo não faz bem. Mas bem, atualmente eu sinto que ainda não sei lidar tanto com as pessoas. Com grupos. Com olhares que julgam. Não gosto de me apegar a colegas. Demoro a concluir amizades. Dizer "ele é um amigo" demora no meu mundo. Há precauções a tomar, muitas. Desculpa por ser tão estranha a ponto de esclarecer que fui ingrata em certos pontos. Eu ainda estou aprendendo.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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