Esse gênio forte por trás de uma tal gentileza com desconhecidos. É isso que me deixa sem lugar. Eu quase nunca falo tudo que quero, com quem conheço pouco. E me parece normal ser assim. OK, eu não sou perfeita, dizia com raiva. Mas e aí, ela continuava a repetir meus erros. E completava que dizia repetidamente pra eu pensar. Já tô pensando... o quê mais? Pode falar. Xingar. É, eu sei também desse meu orgulho, ridículo. Dessa vontade imensa de me entregar a você e a todos que me rodeiam todos os dias pela casa, que se esconde e deixa apenas algumas palavras saírem sem sucesso de afeição. Pegou minha mão, saiu andando. Odeio quando me trata como filha. Não sou sua filha! Na verdade, o que sinto é o tal medo da perda. Perder você, e todos que dizem me amar por aí. De que adianta, se ninguém é pra sempre? Engoli todos esses pensamentos de uma vez. Não gosto de pensar no fim. Mas se lembre das vezes que tento manter seu olhar gigante por cima de mim, independente de onde esteja, é realmente a materialização da proteção que me dá.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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