Uma das coisas que mais tenho o pesar de calcular, é a pouca frequência que escrevo aqui. Larguei um mundo pra trás, algo que me fazia e ainda me faz tão bem. Lembro dos cadernos espalhados e lotados por sentimentos confusos, esperando o momento certo de chegar na tela. Sem querer ser clichê, já sendo, o que me movia era a solidão. Uma mistura de liberdade e abandono, as quais eu alimentava com prazer. Coisas de adolescente, como se houvessem passado tantos anos até hoje, eu digo que cresci, endureci demais, e sinto que preciso fazer um esforço enorme para voltar a sonhar. Mesmo que não se queira, a futilidade invade o caminho, por mais que se tenha sido uma pessoa leve e pura. Ah se eu pudesse voltar a ser aquela menina de antes!
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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