Uma das coisas que mais tenho o pesar de calcular, é a pouca frequência que escrevo aqui. Larguei um mundo pra trás, algo que me fazia e ainda me faz tão bem. Lembro dos cadernos espalhados e lotados por sentimentos confusos, esperando o momento certo de chegar na tela. Sem querer ser clichê, já sendo, o que me movia era a solidão. Uma mistura de liberdade e abandono, as quais eu alimentava com prazer. Coisas de adolescente, como se houvessem passado tantos anos até hoje, eu digo que cresci, endureci demais, e sinto que preciso fazer um esforço enorme para voltar a sonhar. Mesmo que não se queira, a futilidade invade o caminho, por mais que se tenha sido uma pessoa leve e pura. Ah se eu pudesse voltar a ser aquela menina de antes!
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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