As ruas costumavam me inspirar mais. Cada pedacinho de concreto, cada esquina com um ponto de luz, eram como fontes de esperança pra mim. Eu costumava ser mais mole, tão emocional que escorria pelas tais ruas, deslizava e até hoje não sei como não me tiraram nada, nem cinquenta centavos no bolso. Eu costumava sonhar um tanto, um tanto que quebrava a cara todo dia e na mesma noite, voltava a sonhar. Eu sei, eu sei que é ridículo ficar contando o que fui, mas é que dá uma puta vontade de voltar atrás. Não que eu faria diferente, sou covarde demais pra mudar tudo. Eu só queria aquela menina de volta. Aquela que começou a escrever aqui. Com todos os erros do mundo que eu sempre tive, mais os sonhos tolos e infantis de uma garota de dezessete anos.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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