As ruas costumavam me inspirar mais. Cada pedacinho de concreto, cada esquina com um ponto de luz, eram como fontes de esperança pra mim. Eu costumava ser mais mole, tão emocional que escorria pelas tais ruas, deslizava e até hoje não sei como não me tiraram nada, nem cinquenta centavos no bolso. Eu costumava sonhar um tanto, um tanto que quebrava a cara todo dia e na mesma noite, voltava a sonhar. Eu sei, eu sei que é ridículo ficar contando o que fui, mas é que dá uma puta vontade de voltar atrás. Não que eu faria diferente, sou covarde demais pra mudar tudo. Eu só queria aquela menina de volta. Aquela que começou a escrever aqui. Com todos os erros do mundo que eu sempre tive, mais os sonhos tolos e infantis de uma garota de dezessete anos.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
Comentários