Muito provavelmente, nada voltará a ser como foi um dia. Meu cabelo, minhas unhas, minha pele, nossas conversas... as músicas recentemente lançadas que são a nossa cara, já não fazem tanto sentido. Minha covardia talvez aumente, ou desapareça de uma vez por todas. Não é orgulho, mas a vontade de colocar tudo em seu devido lugar me faz perder o controle sobre o que sinto. Desejo e dever não são compatíveis. Eu vou deixando as paredes brancas me engolirem, apago a luz e digo as mesmas palavras a Deus. Hoje foi um dia bom... obrigada. Eu vou levantando as questões mais complicadas dentro da minha mente. Onde foi que eu fui parar? Naquela calçada, naquelas ruas, onde foi mesmo que me perdi? Onde foi que enfiei aquele meu medo de amar, que não me deixava chegar tão perto de ninguém? E onde estão meus sonhos? É que hoje endureceu tudo, meu chão me prende com tanta força que se quer me lembro quantas coisas boas consegui de uns tempos pra cá. Eu só quero uma saída desse labirinto maluco em que entrei. Um belo dia saí de casa, onde ninguém confiava mais em mim. As coisas até pareceram voltar ao seu lugar, mas cá estou, longe de tudo que fui e que tive. Talvez seja por isso que dói tanto quando me exigem um pouco mais de estabilidade e de compreensão.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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