Nunca pedi que lessem meus textos. E escrevo necessariamente porque não prefiro contar tudo a alguém. Parece contraditório dizer isso e escrever tudo isso aqui, sendo que o mundo inteiro tem acesso. Sim, o mundo inteiro pode vir ler, se quiserem. Mas o blog não vai vir reclamar comigo, dizendo que se cansou da minha vida, dos meus mesmos dilemas, dos ciclos repetitivos, da minha ansiedade, dos meus dramas... ao contrário das pessoas. Vejo todas elas fartas, talvez mais cansadas do que eu, do meu próprio dilema. Não querem saber mais da mesma história. Troca o canal. Aumenta o volume, mas troca o canal, vira a página. Ou então começa o livro de novo, mas fica calada.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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