Nunca pedi que lessem meus textos. E escrevo necessariamente porque não prefiro contar tudo a alguém. Parece contraditório dizer isso e escrever tudo isso aqui, sendo que o mundo inteiro tem acesso. Sim, o mundo inteiro pode vir ler, se quiserem. Mas o blog não vai vir reclamar comigo, dizendo que se cansou da minha vida, dos meus mesmos dilemas, dos ciclos repetitivos, da minha ansiedade, dos meus dramas... ao contrário das pessoas. Vejo todas elas fartas, talvez mais cansadas do que eu, do meu próprio dilema. Não querem saber mais da mesma história. Troca o canal. Aumenta o volume, mas troca o canal, vira a página. Ou então começa o livro de novo, mas fica calada.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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