Não que mereça texto. Nem mesmo meu tempo e meus pensamentos. Eu poderia transferir tudo pra outros olhos, mas na verdade quero deixar minha vida me levar aos poucos a tudo que tem mesmo que acontecer. Mas me pergunto por essa casa, esse quarto, que é só mais um na minha história e mais um pra escutar com a calma que só meus quartos têm. E aí, de onde vinha a desconfiança e inveja? De onde se nunca plantei isso em nenhum coração? Tratava logo de tirar pela raiz, eu sei que doía até no corpo, mas eu arrancava. Onde traí a confiança, em que parte da novela? Deixei de fazer por mim, para fazer por quem nunca se humilhou tanto, quem nunca sofreu tanto sozinha. E aí, agora, confia? Confia no que sou e fui? Claro que não. Claro que não confia, nunca confiará. Nem se um dia eu voltar a sorrir a seu redor. A confiança que plantei, você arrancou pela raiz. Doeu, dói até agora. Mas ninguém sabe mais quem é você. Quantos olhos, e bocas tem. Nem mesmo quantas faces por inteiras. Mente, oculta, dramatiza. Mas um dia, o palco desse teatro cai. Afinal de contas, não é fácil conseguir bases fortes sem a força que amizades e amores que o tempo decidiu construir, ferro a ferro, soldados e selados SOMENTE com verdades e resignações.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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