Nem vilã, nem mocinha. Ninguém sabe realmente da história (longa) da minha vida, rica em detalhes sórdidos e puros, bizarros e também maravilhosos. Se boto um sorriso no rosto, é por gratidão a Deus, não vingança. Se busco uma saída sozinha, não é egoísmo, é a fuga do melodramático. Se eu só quero coisa nova, não estou cuspindo no prato em que comi, mas insistir num mundo onde tudo parece perdido e difícil de controlar, me faz querer correr pra bem longe. E aí jogar na minha cara, culpazinhas sobre fatos minúsculos, diante do que já passei... ah não. De novo não.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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