Eu não quero machucar ninguém. Muito menos a mim mesma. Quero poder dizer com a voz forte e decidida o que quero e o que não quero. Ultimamente, descarto indecisões, imprecisões e perfeições. Nem diante das coisas mais sérias eu consigo deixar a tensão tomar conta de mim. Sabe, anestesia? Pois é. Quero sentir só as coisas boas. Culpa, medo, fraqueza, ódio eu esqueço, deixo de lado, pra depois, se for o caso. Não que isso seja perfeito. É só uma decisão firme. Toda essa dor que cantam por aí, dizem sentir, por motivos tão comuns, tão reais mas tão normais, eu já senti. De dia, de noite, chovendo, com sol, no meio da multidão, ou numa estrada sozinha. Eu sei que passa. Então é o que desejo para o mundo e para mim: renovação.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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