Eu adoro sua bicicleta. A cor, os detalhes. E adoro cada trajeto que ela faz. Quando me coloca na garupa, me pede pra segurar firme, porque estarei mais segura assim, eu sinto o vento bater forte em mim. E olha, em você deve ser até mais forte não é? Em todas as curvas acentuadas, malucas e nessas ruas esburacadas chega a ser engraçado quase cair. Eu só temo uma coisa. É você quem tá na frente, e se um dia a gente desequilibrar... tenho medo de que machuque mais do que eu.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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