Eu adoro sua bicicleta. A cor, os detalhes. E adoro cada trajeto que ela faz. Quando me coloca na garupa, me pede pra segurar firme, porque estarei mais segura assim, eu sinto o vento bater forte em mim. E olha, em você deve ser até mais forte não é? Em todas as curvas acentuadas, malucas e nessas ruas esburacadas chega a ser engraçado quase cair. Eu só temo uma coisa. É você quem tá na frente, e se um dia a gente desequilibrar... tenho medo de que machuque mais do que eu.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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