Eu fico brincando que nem criança, beirando as janelas desse arranha céu. Tem dias que me pego correndo pelos corredores, como quem junta forças e impulsos para pular em algum lugar. Do colchão, eu pulo pro chão. Das cadeiras, pro sofá. Mas aí, algo lá embaixo me atrai tanto... Eu juro que me excito com o vento forte, a adrenalina incrível. Chego a pulsar inteira por tudo isso. E tem dias... ah, tem dias que eu quase me vejo lá embaixo.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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