São essas perfeitas noites de chuva, mês de dezembro em que a nostalgia vem com mais força do que o normal, é que me pego tentando fazer uma coisa que não consigo (e que quero, logo!) : chorar. Parece idiota, mas talvez foram os seis meses talvez mais loucos da minha vida, esses últimos. Tomei decisões que nunca imaginaria tomar. Me machuquei. Dei um basta no sofrimento. Machuquei duas pessoas. Tentei reaver. Não adianta. Nunca adianta. Claro que não quero odiar ninguém. Nunca quis causar dor. Mas é que depois de doer tanto em mim, eu tinha que fazer parar aqui dentro primeiro. E essa minha mania de fazer e não sentir exatamente tudo o que devia, me deixa engasgada hoje. Com uma dor estranha, querendo me dominar. E eu já não sei se corro mais uma vez, ou se fico, pra lavar a alma e me renovar (Se é que isso vá acontecer).
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
Comentários