Eu queria mesmo era ter realmente o ego elevado. Quem me vê sempre tão contente com o "foda-se" ligado no último volume pra tudo que possa me deixar triste, não conhece metade da minha insegurança. E se eu fosse tão segura assim, eu não estaria nesse quarto agora, estudando coisas que já estudei, por medo de não passar na prova (que passei antes, com pontuação ótima, mas a pauta venceu). Eu poderia estar no parque, me divertindo sozinha ou com amigos. Ou poderia estar praticando no Adobe, e terminando meus vários projetinhos que começo e paro. Eu poderia estar trabalhando nisso. E ganhando bem até. Poderia ainda deixar esse receio de lado e conversar com tantas pessoas de novo, sem pensar o que estão pensando de mim. Na verdade, eu poderia convencer as pessoas de certas coisas. Como convencer de que posso sim, fazer alguém feliz. Mesmo eu tendo 20 anos, e gostando de rosa. Mesmo eu tendo o amor, com referências estranhas na minha cabeça. Eu poderia pedir que ficassem perto de mim, porque eu saberia exatamente o que fazer, e saberia o que dizer nas horas críticas. Ah, e com certeza eu iria conseguir ouvir mais, as pessoas que tanto prezo. As pessoas que mais gosto, e que me rodeiam, praticamente não falam de si. Mas aí, insegurança define meu status de humor hoje. Agora. Espero que não sempre. Afinal, isso não é só proteção. É um flagelo.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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