Não é fácil assim, sabe. Levantar e sorrir todos os dias, pensando no alívio. Quem é amigo lê nos meus olhos, o quanto é complicado pro soldado voltar pra luta. E ver até quando o coração vai ter medo de voltar a amar. Não não, não é bem essa a questão. Mas deixei de sentir tanta coisa... não sou mesmo de me entregar por aí em qualquer beijo em qualquer cama. Mas quando acontece rouba um pouquinho de mim. E leva embora. Então imagine o que restou de um amor de dois anos. Eu venho procurando meus restos nessas segundas feiras, terças, quartas. Desgastou tanto que eu pensei: não quero mais amar, ponto. Nem gostar tanto assim, mais um ponto. Mas daí veio aqui uma garota com uma bicicleta e me chamou pra dar uma volta. E eu ainda tô dando voltas por aí, porque ouvi dizer que a gente ia fugir. Acho que ela também não quer mais amar. E nem eu. Não sei bem se é isso. Mas o que me confunde é gostar demais do cabelo dela ao vento.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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