Não é fácil assim, sabe. Levantar e sorrir todos os dias, pensando no alívio. Quem é amigo lê nos meus olhos, o quanto é complicado pro soldado voltar pra luta. E ver até quando o coração vai ter medo de voltar a amar. Não não, não é bem essa a questão. Mas deixei de sentir tanta coisa... não sou mesmo de me entregar por aí em qualquer beijo em qualquer cama. Mas quando acontece rouba um pouquinho de mim. E leva embora. Então imagine o que restou de um amor de dois anos. Eu venho procurando meus restos nessas segundas feiras, terças, quartas. Desgastou tanto que eu pensei: não quero mais amar, ponto. Nem gostar tanto assim, mais um ponto. Mas daí veio aqui uma garota com uma bicicleta e me chamou pra dar uma volta. E eu ainda tô dando voltas por aí, porque ouvi dizer que a gente ia fugir. Acho que ela também não quer mais amar. E nem eu. Não sei bem se é isso. Mas o que me confunde é gostar demais do cabelo dela ao vento.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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