Volto a caminhar cabisbaixa, devido a esse meu mundo tão conturbado. Digo que sinto medo quando percebo o quanto estou longe de todos que me acostumei, de cada um que costumava me rodear e me arrancar sorrisos. Todo mundo cresceu. Mas isso não era motivo pra deixar tudo triste. Tudo tão cinza. Eu me recordo de todo mundo, tem dias, que com mais facilidade. E vejo que o lugar que antes parecia me pertencer pra sempre, acabou ficando pequeno demais. Restrito demais pra mim. Nada de sonhos, eu cresci, e nesse mundo onde todo mundo tem que saber fingir e dizer bom dia, mesmo achando o dia um horror, eu aprendi também a me esconder de quase tudo. Caíram por terra, os sonhos. Eu tenho uma lista no papel, com algumas metas e prazos. Me arrancaram um pedaço da alma, me tiraram aos poucos a vontade de amar. As pessoas sentem medo de que eu sinta amor, e agora, quem começa a sentir medo, sou eu. Me tranco, de novo, nos pensamentos mais pessimistas. O dinheiro nunca será suficiente. Minhas metas são utópicas demais. Minhas pelúcias estão trancadas no guarda roupas. Chocolate não me faz feliz. A única vez em que amei, bem, eu não quero mais me lembrar disso. Eu procuro um amigo nos olhos de quem aparece no ônibus. As pupilas de todos eles se contraem. A minha dilata, procurando por luz.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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