Confesso enfim. Sim, eu confesso que ainda há algo fora do lugar. Que me incomoda, tira um pouco minha fome, e ás vezes dá ânsia. E eu sempre esperava passar, deixava ir embora, sabendo que voltaria. Mas é que ainda não encontrei a solução, se é que existe. Mas é desgraçante, desgraceira, é uma desgraça eu não conseguir mais deixar as lágrimas rolarem. Não encharcar mais o travesseiro, não sentir dores de cabeça, de tanto chorar. Sim, eu tenho motivos. Mas cá estou, pálida, tentando não criar expectativas e nem me lamentar pelo passado fracassado. Fico entre o medo do futuro e o pânico do que deu errado antes. Desgraçado medo.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
Comentários
Forte. Mas uma das coisas mais bonitas que já li...