Eu ando rabiscando as paredes do quarto, e por todo lugar que me parece vazio. Tentando preencher esse meu mundo de uma vez por todas. A cortina tira um pouco a luz, mas me faz bem ficar na penumbra. Eu tenho esse apego à melancolia, e consigo ver um "quê" de beleza nisso. Minhas músicas preferidas são as que me fazem chorar. Não adianta me dar algo para acordar, eu gosto mesmo é de chá, de cappuccino, desses bem fraquinhos. Me fecho aqui por um bom tempo e me preparo para receber toneladas de informações sobre o outro lado da janela. Dizem que está frio lá fora. Que nas ruas, há barulho extremo. Dizem que querem sempre mais e mais do mundo, mas eu receio que sentem falta, o tempo todo. A maioria diz estar só. Dizem que falta amor.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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