Eu ando rabiscando as paredes do quarto, e por todo lugar que me parece vazio. Tentando preencher esse meu mundo de uma vez por todas. A cortina tira um pouco a luz, mas me faz bem ficar na penumbra. Eu tenho esse apego à melancolia, e consigo ver um "quê" de beleza nisso. Minhas músicas preferidas são as que me fazem chorar. Não adianta me dar algo para acordar, eu gosto mesmo é de chá, de cappuccino, desses bem fraquinhos. Me fecho aqui por um bom tempo e me preparo para receber toneladas de informações sobre o outro lado da janela. Dizem que está frio lá fora. Que nas ruas, há barulho extremo. Dizem que querem sempre mais e mais do mundo, mas eu receio que sentem falta, o tempo todo. A maioria diz estar só. Dizem que falta amor.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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