Não tem lugar mais vazio e mais cheio de gente como meu quarto. Se abre a porta, e me vê num canto, sentada na cama, escrevendo, não se engane. Existem várias pessoas aqui. Escondidas no guarda roupas, entre fotos, nos brincos, nos colares pendurados. Nos meus perfumes tão extremos. Meus amigos estão nos desenhos, pendurados em papéis, rabiscados na parede. Minha família estampada nos livros e em todas as minhas espinhas. Tem gente por aqui que mal conheço. Mas entrou, e ficou. E algumas eu não queria nem lembrar então joguei pro lugar mais extremo, no fundo de todas as roupas e papéis, no fundo dessa bagunça que a gente sempre tem no quarto. E eu acho que é por isso, que não me sinto tão só. Na teoria, meu mundo está sempre cheio.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
Comentários