Uma música e eu não quero me preocupar com mais nada. O volume bem alto, e eu me esqueço de que tudo está fora de controle. Minha mãe tem razão, quando diz que lá no fundo, minha organização é forjada. Não sei se está certo, mas eu perco o controle com as mãos, com o olhar e com as palavras. Eu tonteio e só enxergo o negro, com um cheiro bom. Ofegando, parece que gostam mesmo de me deixar assim, com o corpo mole. Enquanto alguns gargalham do que escrevo, outros dizem sentir o mesmo, eu me recuso mais uma vez a render minha mente a preocupações. (...)
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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