Duas dúvidas quanto a guardar amor: Será que um dia mofa, se eu não entregar logo a alguém? E será que funciona depois de muito tempo guardado? É que me funde a cabeça pensar no quanto eu poderia ser (mais) feliz se não sentisse medo de entregar tudo que tenho, de encarar as faces medonhas de vários julgamentos que sempre vieram e sempre virão ao meu encontro, quando posso ficar feliz. Se tenho pouca idade ou pouca história, se pareço bem demais pra querer ser ainda mais feliz, se pinto as unhas de rosa, se leio babaquices românticas esperando o meu dia, se me porto sempre com um sorriso que ameniza a dor de qualquer um aqui dentro, não quer dizer que eu não mereça almejar mais nada. Não quer dizer que sei pouco da vida, ou que sou fútil. Quer dizer bem mais, mais do que esse pouquinho que sei que sou. E pra falar a verdade pouco é a gente que sabe mais do que esse pouquinho de mim.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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