Eu fico esperando o dia em que vamos todos gargalhar, juntos sentados num bar qualquer, lembrando de todas as confusões. Não sei se quero estar casada, prometida ou com uma lata no dedo. Mas quero ter uma criança comigo, que seja minha. Contando sobre os casos em que fomos sempre tão amantes, como amigos, irmãos ou como loucos apaixonados por cada traço do rosto ou do braço, o cheiro da nuca. A roda de amigos, onde todos já se apaixonaram por todos, entre festas ou dias nas lagoas. Os que se foram por vacilar demais, os que nem se moveram por amar demais. Eu quero ir e tomar uma visão panorâmica de cada caso de amor e bebida, ter meu lápis e papéis. Depois eu volto, e paro, exatamente na mesa do bar, olhando pra cada um de vocês. Acho que não foram todos que entenderam o valor da amizade. Mas é disso que eu sinto falta. E aí, buscando chamar a atenção, eu me calo diante de tudo, me escondo e fico no máximo a espreita. Do contrário de quem gritaria, louca, desvairada, procurando enfiar a todo custo, as memórias de uma época intensa e descontrolada. E eu continuo esperando.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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