A água não dá pé. Por vezes eu enxerguei o fundo conseguia andar e sentia tudo bem fresco. A gente finge que vê assim com um ar de casualidade algo que já está pra lá de complexo. Sabe que vai afundar, quiçá afogar nesse rio que hoje já está escuro demais, mas não desiste. Minhas metáforas são podres eu sei. Mas é que não sei dizer nada puramente claro. Me falta o ar, eu nunca encontro as palavras mais objetivas. É um mal sempre me perder nisso. Nas palavras e não saber chegar a uma simples conclusão. Dou voltas e voltas no mesmo lugar, minha cabeça se confunde, se perde. Minha mãe em relances na frente do espelho, me pergunta sobre seu vestido novo. Respostas monossilábicas enquanto aqui dentro gritam tão alto, mas tão alto que a única grande frase que consegui dizer foi "fecha a porta do quarto pra mim, por favor?" num tom nada agradável. Eu não quero machucar ninguém, mas olha, estão me ferindo por querer, enxergam? Eu tenho uma porção de coisas boas aqui dentro pra serem entregues a alguém, as minhas mãos tremem 'e se não for exatamente isso?' como vou dizer? Na primeira oportunidade eu corro pra dentro do quarto e olhando pras cortinas reagirem contra o frio lá fora, busco mais uma vez, alguma resposta pra algo tão simples. Se eu sumir de todos os lugares prováveis, acreditem que foi o melhor. Eu não sei até onde vai a amizade, se começa amor, se eu já amo, e se deveria jogar tudo que tenho fora e começar tudo outra vez. Vez em quando eu abaixo a cabeça na água e vejo o quanto tempo consigo ficar sem respirar. Afinal de contas, preciso prevenir acidentes. Caso eu esteja mesmo indo fundo demais em qualquer coisa, preciso aprender a afogar sozinha e a sobreviver depois de voltar à terra.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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