Agora ela nem foge mais do meu olhar. Diante de certas coisas ela fixa mesmo aquele par esculo e brilhante aqui, parece até que bem na ponta do meu nariz pra condizer com o humor que tem em rir dos meus defeitos. Mesmo assim, não faz idéia do que quer da vida, nem de mim e dessa longa história que tem tudo, exatamente tudo menos um nome. Eu sinto dizer que tudo tem prazo de validade e mesmo sem saber até onde vou, eu sei, o samba vai ficando baixinho.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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