Esses dias, que geralmente os homens dizem ser os infernais (e talvez até sejam) vão além de qualquer reação orgânica dentro de mim. E como ariana fiel que sou à minha natureza, quero e sempre tento fazer deles, os dias mais produtivos. Um desenho, qualquer tipo de produção que é pra eu me sentir melhor comigo mesma. E a tendência feminina quando nervosa é sempre meter os pés pelas mãos. Não que eu desenhe com o pé, mas falo de não sair nada, nada do lugar. Um ciclo que me empurra devagarzinho pra dentro do quarto às nove da noite, me ajuda a jogar os edredons de qualquer jeito, boto pra tocar um álbum muito provavelmente dramático, começo com alguns questionamentos clichês sobre tudo que anda acontecendo como se fosse o fim do mundo, e deixo alguma lágrima cair, até pegar no sono. Mas se tem uma coisa da qual me orgulho muito, é de ter nascido mulher. Da carne forte, do coração forte, da ansiedade em viver o agora mas pensando tanto lá na frente. E mesmo com o quarto bagunçado, tento organizar as coisas aqui dentro. E se tudo parece perdido hoje, amanhã estará perfeito. Porque se tem sexo frágil nesse mundo, olha, te garanto amanhã bem cedo de que não sou eu.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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