Não como pretensão nem vontade de gastar meu tempo e minhas palavras tentando questionar as atitudes contraditórias e baixas. Mas depois de todo esse tempo e esse teatro que assisto tantas vezes sem querer, como alguém que entra na peça errada e na hora "certa" pra ver as cenas que com certeza vão me machucar, eu resolvi concluir com uma ideia muito simples, o meu sentimento por todo esse transtorno que você fez, tão friamente. Ouvia e lia uma frase a um ano atrás, que dizia nos momentos divisórios de águas: "Na minha memória e no meu coração, você ocupa um dos lugares mais bonitos". Que deixava claro que apesar de tudo, uma porção de coisas boas ficariam aqui dentro também, e as lembranças felizes talvez deixaria meu carinho intacto. Mas bem, infelizmente a escolha não foi minha... diante da falta do seu olhar pra dentro de si mesma eu não sei, e hoje não tenho a mínima vontade de saber o que te deu. O fato é que a frase bonita, hoje, não faz o menor sentido. Tenha a absoluta certeza que o objetivo falhou. Triste é perceber que sua escolha, foi fazer com que hoje, ocupasse um dos lugares mais sombrios que existem dentro de mim. Lugar esse que nem eu sabia que existia. Bloqueei o que havia de bonito, não consigo me lembrar. E o que fica está negro, tomando um volume imenso, que me faz sentir medo, ânsia, repúdio. Quero chegar ao equilíbrio, a ponto de não sentir nada e a indiferença não deixar sobrar nada, nem mesmo pena. Finalmente, eu concluo que ler os melhores autores, ouvir as melhores músicas, assistir aos mais belos filmes pouco ajuda a quem não pode ter de fato, uma alma capaz de absorver os sentimentos bons que trazem plenitude e a capacidade de amar a si mesmo.
Voltei.
Voltei lá no tempo em que escrevia bastante. Quase sempre, quando dava. Mas dava mais do que dá hoje. Li várias vezes um texto antigo que escrevi para alguém. E dediquei o dia de hoje a pensar na pessoa que me transformei nos últimos três anos. Não confio em quase ninguém, e me dedico menos ainda a quem amo. Não sei mais explicar quando sinto amor. Não leio tanto mais, me amedronto com estranhos nas ruas, com ônibus lotados ou vazios demais e com a solidão. Logo eu, com medo da solidão. Ganhei um amor daqueles que sempre pedi, sem dor, sem tanto medo e com uma mochila nas costas. Só falta eu decidir quando será a partida. Mas às vezes acordo, olho para a cama e pro rosto dela deitada, dormindo e me pergunto se eu mereço tanto. Sinto que faço pouco. Escrevo pouco. E essa menina, ela merece tanto, tanto que o meu espelho do banheiro me fala todos os dias, que preciso trabalhar menos e amá-la mais. Voltei do trabalho hoje e a casa que vive infestada de gente, entrando e saindo está vazia...
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