Passei o dia questionando a amizade. O dia todo, pensando em como foi construir uma amizade durante anos e algo desmoronar como castelinhos de cartas de baralho. Fim do dia, teria que ir a uma festa, chá de bebê com o bebê bem presente. Uma prima que nasceu querendo fazer parte de tudo, tanta pressa teve que me recebeu junto com os balões cor de rosa. Festas de família parecem chatas assim, de cara. Mas depois de passar o dia me lembrando de quem são as pessoas que podem e conseguem fixar meus pés no chão junto com abraços, eu me dei conta de que família é sim a melhor e maior amizade que pode existir. A avó me esperava com ânsia, e eu não havia entendido o motivo da alegria por minha chegada. Foi nesse abraço que senti com uma força incrível o carinho de alguém que eu não via há anos. "Você não sabe como eu fico feliz em te ver aqui". A voz ficou trêmula e algumas lágrimas desceram. Inúmeras pessoas que eu não via a tanto tempo, e logo agora, quando eu mais precisei, apareceram. Enquanto eu gargalhava com um primo que sempre me fez muito bem, a bebê permanecia em silêncio, no canto. E depois de calcular milimetricamente todos os pontos positivos, me ajoelhei diante dela. Alice, de nome lindo e forte. Veio com pressa e com vontade de chegar do tamanho do mundo. Chegou na hora exata, enquanto a vida corrida das pessoas faz com que eu até desconheça a família pelas ruas da cidade. Ali, naquele silêncio e sono profundo, depois de ter cansado tanto as mulheres, correria pra cá, pra lá, "Alice já quer nascer! E tem de ser agora!", ela nem imagina... o quanto fez unir as pessoas daquele lugar. A cada abraço e um suspiro por matar a saudade, eu sorria em sua direção. Obrigada Alice. Seja bem-vinda.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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