Passei o dia questionando a amizade. O dia todo, pensando em como foi construir uma amizade durante anos e algo desmoronar como castelinhos de cartas de baralho. Fim do dia, teria que ir a uma festa, chá de bebê com o bebê bem presente. Uma prima que nasceu querendo fazer parte de tudo, tanta pressa teve que me recebeu junto com os balões cor de rosa. Festas de família parecem chatas assim, de cara. Mas depois de passar o dia me lembrando de quem são as pessoas que podem e conseguem fixar meus pés no chão junto com abraços, eu me dei conta de que família é sim a melhor e maior amizade que pode existir. A avó me esperava com ânsia, e eu não havia entendido o motivo da alegria por minha chegada. Foi nesse abraço que senti com uma força incrível o carinho de alguém que eu não via há anos. "Você não sabe como eu fico feliz em te ver aqui". A voz ficou trêmula e algumas lágrimas desceram. Inúmeras pessoas que eu não via a tanto tempo, e logo agora, quando eu mais precisei, apareceram. Enquanto eu gargalhava com um primo que sempre me fez muito bem, a bebê permanecia em silêncio, no canto. E depois de calcular milimetricamente todos os pontos positivos, me ajoelhei diante dela. Alice, de nome lindo e forte. Veio com pressa e com vontade de chegar do tamanho do mundo. Chegou na hora exata, enquanto a vida corrida das pessoas faz com que eu até desconheça a família pelas ruas da cidade. Ali, naquele silêncio e sono profundo, depois de ter cansado tanto as mulheres, correria pra cá, pra lá, "Alice já quer nascer! E tem de ser agora!", ela nem imagina... o quanto fez unir as pessoas daquele lugar. A cada abraço e um suspiro por matar a saudade, eu sorria em sua direção. Obrigada Alice. Seja bem-vinda.
Sinto falta do que nunca existiu. Acho que até hoje, você não percebeu que nunca fomos amigos. E essa admiração que voce nunca teve por mim existe, porque pelo menos pra mim, nunca demonstrou. Tenho deja vu quando me sento numa mesa onde você também está e quando começa seu discurso que me humilha, me rebaixa e me critica sempre. Orgulho? Pelo visto nunca dei mesmo. Ao contrário do que pensa, nunca fui a melhor da sala, nunca tive muitos amigos, nunca fui muito de conseguir me enturmar. Se lembra da vez que chorei na cozinha porque meu irmão mais novo não tinha coragem de levar a irmã com ele, quando saía com amigos? Meu mundo era meu quarto, um som e meus cadernos. E hoje, escuto que peguei vocês de surpresa com meu comportamento, porque sempre 'fui normal'. Por isso, não sou aceitável. Que seja, eu não pedi ninguém pra me aceitar. Se hoje, consigo me divertir com amigos ou com a pessoa que amo, não adianta ficar bravo. Não é assim que se mostra nada além da indignação ignora...
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