Eu posso e quero voar por aí. E das coisas que sinto aqui dentro, sei que um dia eu vou parar. Não que eu não queira saber quando, nem onde, mas se eu olhar bem para os lados vou apontando e escolhendo com quem eu quero estar. Eu sei que parece loucura, mas tudo gira e muda tanto, que prever e sonhar tem sido normal, como escrever contos onde as linhas se contorcem, fazem nós, se desfazem, criam laços, embolam na ponta, na outra se soltam... mas ainda há tantas pontas e eu me vejo bem no meio. Entre novelos e fitas olhem bem, eu sigo me segurando com a maior fidelidade a mim mesma.
O computador não para de piscar. O celular não tem bateria na metade do dia. Minha cabeça trabalha, analisa, pensa. Mas só ela. Eu havia dito que o destino era algo em que eu confiava bastante, e que fazia total sentido tudo que está acontecendo. Ele sequer havia trazido carta alguma... até então. E eu completava que uma hora o destino tinha que conspirar a meu favor. Apesar de eu tropeçar em tanta confusão, tudo que não quero é me machucar ou machucar outras pessoas. Então faço minha cabeça trabalhar, mas deixo meu coração guardado. Ou melhor, ás vezes deixo ele olhar com cautela o olho mágico da porta do quarto, mas quando a abro ele corre pra debaixo das cobertas com medo. Depois de deixar tudo ficar bem bagunçado, Yui chegou com um envelope nas mãos, vindo do Brasil. Não quis olhar muito, guardei. E quando toquei nele de novo, olhei as letras, estremeci e alguém bateu na porta. Meu coração foi na frente, checou no olho mágico e depois fugiu. Guardei o pacote de novo e fui gastar ...
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